Rotary na Itália e o fomento à cultura

Por Felipe Pimenta*

Em novembro de 2018, o convênio “O Rotary pela cultura e o desenvolvimento, um desafio pelo bem-estar de todos” foi firmado em um evento na Aula Magna da Universidade de Pádua para dirigir esforços concretos para promoção e tutela do patrimônio histórico, artístico e cultural. Assinado no Ano Europeu do Patrimônio Cultural, o convênio foi reconhecido e inserido no calendário europeu das ações dedicadas a este tema no ano de 2018.

Segundo Riccardo de Paola, governador no ano rotário 2018-19 do distrito 2060 do Rotary, que compreende as regiões do Norte da Itália de Trentino-Alto Adige, Veneto e Friuli Venezia Giulia, esta foi a primeira de muitas iniciativas de fomento à cultura na Itália com a colaboração do Rotary, Unesco e Universidade de Pádua.

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Inundações atípicas na cidade de Veneza, durante o mês novembro. A água chegou a 5 metros de altura, feito que só aconteceu 5 vezes na história da cidade. Crédito: Imgur

É justamente em solo italiano que está o maior número de locais, 53, considerados patrimônios da humanidade pela Unesco. Fazer parte da prestigiosa relação gera visibilidade internacional e atrai turistas, porém, exige mais investimento para conservação. Além disso, outros fatores têm se mostrado nocivos aos patrimônios culturais, artísticos e naturais.

A cidade de Veneza é um dos destinos mais visitados no mundo. Estima-se que anualmente 30 milhões de pessoas visitem a parte insular e histórica da cidade, considerada patrimônio pela Unesco. Em determinadas épocas, é comum a ocorrência da maré alta. Entretanto, em 2018, fortes temporais na região norte do país causaram alagamentos em Veneza não vistos há muito tempo, atingindo a marca de cinco metros, provocando cancelamento de voos e trens, e a emissão do decreto de situação de risco.

A cadeia de Montanhas do Dolomites, outro patrimônio cultural da Unesco afetado pelas fortes chuvas na Itália, sofreu com ventos de 200 km/h que devastaram cerca de 50.000 hectares de floresta, além de destruir estradas e trilhas de ecoturismo, prejudicando a vida da população e as atividades econômicas. Estima-se que será necessário cerca de uma década para a economia local se normalizar.

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Árvores caídas na cadeia de Montanhas do Dolomites, na região de Trentino e Friuli Venezia Giulia, Itália. Crédito: Italy Magazine

Apesar dos recentes eventos climáticos prejudiciais ao patrimônio, felizmente algumas iniciativas de Rotary Clubs italianos estão auxiliando na sua conservação e preservação. O Rotary Club de Aquileia-Cervignano-Palmanova desenvolveu um aplicativo para identificar as obras da Basílica da cidade, principalmente os famosos mosaicos dos primeiros anos do cristianismo italiano, auxiliando na compreensão, acessibilidade e divulgação de informações.

Outro exemplo de projeto foi a doação do Rotary Club Padova Est ao Museu Cívico de Pádua, permitindo obras de manutenção e conservação da Capella Degli Scrovegni, que data de 1.305. Após estudos, verificou-se que a poluição era um grande fator que causava a danificação dos afrescos na Capela. Assim, a doação do clube permitiu a criação de uma câmara intermediária, filtrando a entrada do ar. Com o apoio do Rotary, também foi realizado um vídeo explicativo, exibido na câmara, explicando e simplificando a compreensão dos afrescos cristãos do local.

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Vídeo explicativo sobre a Capella Degli Scrovegni, na cidade de Padova. As logomarcas do Rotary Club realizador e do Distrito 2060 têm destaque. Crédito: Felipe Pimenta

A histórica Universidade de Pádua tem papel importante no convênio. Além de contemplada com a conservação de parte do seu acervo bibliográfico pelo convênio, o corpo docente da Universidade esteve envolvido no evento de lançamento, abordando aspectos importantes da conservação do patrimônio. Afinal, os quase 800 anos de história e reputação da Universidade não podem ser ignorados. O local teve como professor nada menos que Galileu Galilei, a primeira mulher da história a se formar, Elena Piscopia, o primeiro horto botânico universitário, criado em 1544 e patrimônio da Unesco, além do primeiro anfiteatro dedicado ao estudo da anatomia.

O convênio tem uma meta ambiciosa de ser um meio para a criação de uma nova área de atuação para clubes do Rotary de tutela pelo patrimônio cultural, histórico e artístico, aumentando as seis áreas já vigentes.

Para os Rotary Clubs do Brasil, o convênio se mostra como uma possibilidade de atuação e preservação da nossa história. Presenciamos tristemente as chamas que consumiram tanto o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, como o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Preservar, estudar e valorizar o passado é o caminho que rotarianos, Pessoas de Ação, podem incluir em sua atuação para almejar a paz, que tanto idealizamos.

Assista ao evento realizado na Universidade de Pádua, em italiano:  (atenção aos minutos 7, 27 e 50).

*Sobre o autor: Estudante de mestrado conjunto em Desenvolvimento Local nas universidades de Pádua (Itália), Lovaina (Bélgica) e Paris I Panthéon-Sorbonne (França), Felipe Pimenta é associado honorário do Rotaract Club de São Paulo-Jaçanã (Distrito 4430, Brasil) e do Rotaract Club de Portoviejo San Gregorio (Distrito 4400, Equador).

Link da relação completa de patrimônios da Unesco: http://whc.unesco.org/en/list/&order=country#alphaI

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